Ronaldo
Ronaldo Desenvolvedor, pai, cidadão do mundo.

Aprenda português, depois linguagem de programação

Descrever o raciocínio lógico começa com o idioma

Aprenda português, depois linguagem de programação

Quando eu era criança e estava na escola a Língua Portuguesa era a disciplina mais chata do universo. Talvez eu tenha aprendido algo por que desenvolvi o gosto pela leitura, algo muito incentivado pela minha mãe, uma pessoa que sempre adorou ler de tudo um pouco. Mamãe lê desde romances água com açúcar das revistas Julia, até coisas pesadas como Dostoievski e Tolstoi, passando por Maria Clara Machado e Machado de Assis.

O meu português não é lá essas coisas. Quem acompanha meu blog sabe que eu dou minhas tropeçadas principalmente quanto ao uso da vírgula, uma dificuldade que vem desde a infância. Tento, na medida do possível, escrever como programo, ou seja, de forma lógica e objetiva, construindo o assunto e desenvolvendo o raciocínio.

Escrever é um exercício que me auxiliou bastante a me desenvolver na área de computação, principalmente na escrita de algoritmos de alta performance. Sempre que posso ou escrevo algo aqui no blog ou faço anotações em um caderninho, à mão. Isso ajuda a aliviar as tensões do dia-a-dia e funciona quase como uma terapia para mim.

Bem, escrever algo, principalmente em dissertações, é uma forma de traduzir em palavras seu raciocínio. Obviamente que as intenções são diferentes se compararmos com um programa de computador. No caso de um programa, estamos descrevendo o raciocínio em termos de ordens que serão executadas pela máquina através de algum tipo de linguagem de programação, normalmente alguma linguagem imperativa.

A programação tem muito mais em comum com o idioma do que parece. Você precisa escrever algo que esteja não só sintaticamente correto como, também, que esteja semanticamente correto. A sintaxe sem a semântica leva ao analfabetismo funcional, ou seja, você sabe que está escrito em português, lê em português mas não faz o menor sentido, ou seja, a construção não leva ao entendimento. Com linguagens de programação isto não é diferente. Sem a correta semântica, o seu código não faz o menor sentido.

Eu não consigo desvincular ambas as coisas: não há como um programador escrever código de qualidade sem, antes, conseguir descrever seu próprio raciocínio na sua língua nativa. Pelo menos eu já observei vários programadores na minha vida profissional que eram prolixos para escrever em português e, consequentemente, prolixos para programar. Escreviam código em excesso para atingir determinado objetivo.

Outros escreviam não só coisa demais como também coisas sem sentido que terminavam não influindo no processamento final, causando apenas consumo excessivo de recursos.

Assim, deixo esta dica para quem quer começar a programar: aprenda o tal do português. Aprenda a descrever bem o seu raciocínio, a dissertar com objetividade e assertividade. Você verá que ao programar naturalmente você será objetivo e assertivo, descrevendo mais com menos linhas de código.